quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A MULHER DO CALDEIRÃO - continuação

Havia mesmo um grande caldeirão e a mulher estava por trás dele. Cabelos longos, muito longos, avermelhados, ela não parecia velha como a Vidente. Duas cobras finas, não muito grandes, se acomodavam entre seus braços e seus cabelos. "Qual é a sua pergunta?" "É sobre minha namorada, Halana. Ela sofreu um acidente de carro há três meses; foi submetida a várias cirurgias, ficou no hospital por algum tempo, se recuperou das fraturas, etc, mas ela não é a mesma depois do acidente. Tem momentos de grande depressão, não fica só e não consegue, enfim, ter uma vida normal. Chora muito as vezes; estamos muito preocupados com ela." A Mulher do Caldeirão falou com simplicidade. "Sua namorada teve um acidente sério e um pedaço da alma escapou dela." "Um pedaço, como assim?" "Se ela tivesse perdido a alma inteira estaria morta. É comum, em casos assim. A alma tem medo e foge." "E agora?" "Agora ela precisa de um xamã pra resgatar esse pedaço que está perdido não se sabe onde. Só eles viajam entre mundos com facilidade. Eles acham e trazem de volta pra ela." Dito isso, mergulhou uma concha no caldeirão e colocou num copo uma pequena quantidade que entregou a Dani. "Beba, isso vai ajudar. Pode ir." Dani bebeu a pequena porção que havia no copo e começou a sair da caverna. Sentia-se cheio de esperança, renovado em suas forças. Era agora preciso encontrar o xamã.

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