sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A tradição celta- introdução

Estarei em breve falando da tradição celta do xamanismo, assunto que me encanta por dois motivos . 1- por causa da riqueza de suas lendas e personagens; 2- por uma atração que considerei como que um chamado para o conhecimento da cultura celta. *** Assim que tive o contato com esse conhecimento através do estudioso em cultura celta John Matthews senti como se sente uma pessoa que descobre estórias sobre sua família. A tal ponto me deixei encantar pelos relatos que decidi pintar as entidades tais como Ceridwen , A Noiva das Águas, O Rei do Mar, A Mulher Feita de Flores e outros. Fiz inclusive uma singela exposição dessas telas num shopping da cidade. *** Depois outra surpresa: em busca de detalhes sobre os celtas, procurei saber onde vivera minha avó na Itália e a informação confirmou o que eu sentia interiormente. Minha avó nascera em Udine, uma cidade fundada pelos celtas. ** Outras lembranças se juntaram pra confirmar minha descendência celta e atualmente escrevo estórias baseadas nos personagens dessa cultura,e é, podem crer, com muito carinho que os descrevo.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

SOBRE XAMANISMO EM GERAL

A palavra xamã vem da lingua de povos Tungus na Sibéria e foi adotada pelos antropólogos para designar aqueles que eram anteriormente chamados de bruxos, mágicos, videntes etc. *** O xamã entra , por sua vontade, num estado alterado de consciência para adquirir conhecimento em benefício de seus semelhantes. *** Em seu transe, supõe-se que sua alma deixe seu corpo para descer ao mundo inferior ou subir ao mundo superior. *** Durante seu transe o xamã experimenta a imensa alegria de visitar mundos lindos e misteriosos. São como sonhos, com a diferença que eles podem controlar suas ações e guiar suas jornadas. *** Ele é um explorador das paisagens infinitas de um magnífico e oculto universo.

domingo, 25 de novembro de 2012

A JORNADA

Qualquer pessoa pode fazer a jornada para o mundo espiritual, seguindo as regras necessárias. Importante também é o conhecimento prévio sobre os diferentes mundos que irá visitar. Relaxamento, ambiente escurecido, uma venda sobre os olhos , posição deitada e o tambor que deve ser usado por quem tenha a prática adequada. É comprovada a influência do som do tambor, que realmente interfere na consciência da pessoa. Mas embora seja uma prática segura , o aprendiz deve conhecer sobre o mundo xamânico antes de tal experiência. É preciso que se aprenda sobre os caminhos e os seres que habitam esses outros mundos. Como numa viagem comum é necessário conhecer a rota e seus procedimentos para ida e volta. É uma experiência maravilhosa que nos ajuda a procurar conhecimento. E eu diria ainda que é com os olhos fechados que a gente começa a VER.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

SOBRE MICHAEL HARNER

Michael Harner é antropólogo e tem uma extensa bagagem de conhecimento sobre xamanismo. É diretor e fundador da Foundation for Shamanic Studies que ministra cursos no mundo inteiro. Foi num desse cursos que tive minha prática xamânica sobre jornada e sobre cura, além de alguns exercícios sobre adivinhação. Em seu livro "The way of the shaman" ,ele fala sobre a maravilhosa experiência da jornada, atestando que é mais segura do que sonhar porque num sonho vc não tem vontade própria para se libertar de uma situação ruim, enquanto que na jornada vc está consciente . A consciência alterada do xamã é um estado lúcido e ele tem controle da situacão. Na prática xamânica vc tem a oportunidade de, COMPLETAMENTE SEM USO DE DROGAS, alterar o seu estado de consciência seguindo as clássicas maneiras xamânicas e entrar na realidade do xamanismo. O objetivo é sempre o conhecimento e a cura.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

UM LINDO DIA

O dia seguinte amanheceu tão azul e tão bonito, com muitas nuvens brancas e espessas enfeitando o céu que Dani e Halana decidiram caminhar um pouco depois da aula e admirar a beleza que os rodeava. A medida que andavam, de mãos dadas, falavam sobre suas últimas experiências. Dani apontou o céu : "Olhe, lá vem uma nuvem escura .,.." " É uma nuvem de chuva e bonita também. "Os dois riram da própria descoberta. Tudo era bonito. A natureza se integrava e se expandia ao seu redor. Os dois viviam um momento de comunhão e sensibilidade e juntos partilhavam o mesmo pensamento. Halana correu para uma grande árvore e a abraçou. Sabia que abraçava uma criatura que também tinha vida e também se comunicava com linguagem própria. Dani ouvia o vento, que lhe trazia palavras de amor e conforto. A canção do xamã ainda ecoava em seus ouvidos: *** "Cantamos ao por do sol, somos filhos da Mãe Terra. Louvamos, cantamos a música do universo ..." *** ( final da estória O XAMÃ )

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O GRANDE MOMENTO - continuação

O xamã brandiu a maraca quatro vezes anunciando o começo da cerimônia. Pousou sua grande mão na cabeça de Halana e em seguida voltou-se para deitar no colchonete.Ali permaneceu deitado, os braços estirados ao lado do corpo, uma figura inerte, sua mente a viajar por caminhos de outras realidades. O tambor continuava sua cantilena na mágica missão de acompanhar a viagem do xamã. Tudo era silêncio. Halana imóvel, o xamã paralizado em sua jornada espiritual. Dani fechou os olhos. O tempo não existia ali. Sabia que havia outra realidade além da comum em que vivemos no cotidiano e que o xamã podia encontrar o fragmento perdido da alma de Halana em outras dimensões. Abriu os olhos e viu que o xamã erguia os braços, juntando as mãos em forma de concha , como que a aprisionar alguma coisa. Levantando-se, ele se encaminhou para Halana. Com as mãos ainda em forma de concha, levantou a cabeça de Halana fazendo-a sentar-se. Aproximou-se bem e soprou em sua nuca com algum esforço. Depois segurou sua cabeça com as duas mãos e lhe disse sorrindo : "Dê boas vindas a esse pedaço de alma que acaba de chegar. Você está curada." E sacudiu a maraca quatro vezes anunciando o fim do ritual.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O GRANDE MOMENTO

Foi servido a eles um almoço que consistia basicamente de legumes. Beberam um suco de fruta e esperaram a hora em que haveria a cura. A atmosfera era agradável, nada diferente do que podia ser a vida em um lugar tranquilo. Algumas pessoas chegavam e saiam, um carro chegou com um homem que consertava coisas, crianças por vezes quebravam o silêncio com risada ou choro. As três horas o xamã veio de dentro da casa até eles. "Vai ser dentro de casa. Com pouca gente; Vocês e mais alguns poucos para ajudar. Vamos entrando ..." Era uma sala de tamanho médio, não era pequena e dela foram provavelmente retirados os móveis. No chão, dois colchonetes cobertos com um pano limpo. Em volta, cinco ou seis cadeiras de madeira alinhadas junto as paredes. Os colchonetes estavam lado a lado e uma pequena distância os separava. A um sinal do xamã as janelas foram fechadas de modo a tornar o ambiente mais escuro. Um dos rapazes chegou com o tambor e uma mulher trouxe uma maraca, que entregou ao xamã. Sami encaminhou Halana para o colchonete indicado.Deitou-a lentamente e sorriu com confiança. Dani também se aproximou, beijou-lhe a testa e voltou para sua cadeira. O tambor se fazia ouvir agora, suave e compassado, nas mãos do rapaz. Sentia-se o clima de espera, de calma, de absoluto desligamento das coisas. O xamã, que estava sentado no outro colchonete, levantou-se, aproximou-se de Halana e perguntou-lhe o nome completo. Depois explicou a ela que iria, com a ajuda dos espíritos, promover a sua cura. Halana fechou os olhos e soube, naquele momento, que dependia e muito do trabalho do xamã.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O XAMÃ - continuação

Primeiro, o silêncio. De repente, como se ele fosse um animal, o grito tribal e feroz do xamã. Algo marcante, inesperado. E o tambor que soa forte em suas mãos. O xamã se levanta e se move ao redor do círculo. Todos se levantam, as maracas se juntando ao som do tambor, e se dão as mãos, começando uma ciranda. Todos cantam algo com palavras em louvor a Mãe Terra. ( Somos os filhos da Terra...) A ciranda evolui, transformando-se em dança. Alguns imitam pássaros voando, alguns parecem peixes nadando, e o xamã dentro do círculo com seu tambor incessante. Dani, Sami e Halana se emocionam com a pureza do momento, eles próprios dançando e se deixando levar pela beleza do canto. Era como estar vivo e plenamente integrado com a Natureza, sentindo a alegria pura de ser parte do universo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O XAMÃ - continuação

O xamà apareceu. Era um homem alto, de meia idade, cabelo quase branco embora não fosse velho. Sentou-se junto ao grupo e esperou com tranquilidade as palavras de Dani, que mostrava claramente sua ansiedade. Ouviu atentamente tudo que ele e Sami tinham para dizer, olhou para Halana com olhos observadores e finalmente falou. "É bom vocês ficarem aqui por hoje. Precisamos de uma preparação, porque essa cura, ou resgate, costuma ser trabalhosa e um pouco demorada. Vamos tocar tambores agora de manhã, alegrar nossos animais de poder e chamar pra perto nossos espíritos protetores e nossos ancestrais. Temos que estar preparados pra receber ajuda. A parte do resgate da alma sou eu quem faz mas vocês devem estar concentrados e em sintonia com a cerimônia." Os três jovens concordaram , animados com a perspectiva da cura. O xamã era uma pessoa calma e de poucas palavras. Acenou para um dos rapazes e a partir daí, um círculo de pessoas foi se formando na parte da varanda que ficava próximo de uma grande árvore carregada de pequis. O xamã colocou uma vela no centro, acendeu-a e sentou-se. Todos os outros também se sentaram. Alguém trouxe um tambor para o xamã e logo apareceram maracas que foram distribuidas para as pessoas no círculo. Aqueles homens e mulheres não pareciam ser índios; ou eram descendentes ou simplesmente conheciam o trabalho do xamã.

domingo, 11 de novembro de 2012

O XAMÃ - continuação

Era tudo que queriam. Perguntas daqui e dali, no fim do dia já tinham o necessário pra saber como chegar ao xamã. Sairam cedo no dia seguinte. Foi uma viagem um pouco nervosa, tamanha a expectativa. Halana procurava se manter calma e Sami contava estórias engraçadas para entreter os amigos. Era aparentemente um passeio como outro qualquer, mas eles guardavam no coração um grande anseio pela cura de Halana. O rancho que encontraram consistia em uma casinha muito simples, algumas cadeiras do lado de fora e um banheirinho ao lado da casa. Muitas árvores em volta, plantas que cresciam ao sabor do tempo, era bonito mesmo assim. O lago se mostrava em toda sua magnitude. Águas tranquilas, o sol já espalhado por todas as coisas, era um lugar de paz. Algumas crianças apareceram e logo uma mulher se apresentou, parecendo indagar o motivo da visita. "Viemos ver o xamã que mora aqui", disse Sami. "Precisamos muito falar com ele."Mais dois jovens vieram de dentro da casa. Pareciam acostumados a esse tipo de visita. Dani imaginou que várias outras pessoas recorriam ao serviço do xamã. Um dos rapazes disse que ia chamá-lo, que podiam se sentar. Algumas canoas podiam ser vistas dali, gente pescando no sol quente da manhã.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O XAMÃ

Os três se reuniram na casa de Dani, depois da aula, depois que Sami e Halana tinham ouvido tudo sobre a Mulher do Caldeirão. Haviam conversado aos pedaços, entre aulas, na saida, mas o assunto não se esgotava facilmente. Principalmente porque ainda não sabiam como encontrar o xamã. Sami parecia pessimista, mas Dani se mostrava calmo embora não tivesse a resposta. "Acho que temos que recorrer ao Mestre", disse Dani. No dia seguinte pela manhã relataram as ocorrências ao velho Mestre. Suas primeiras palavras foram desanimadoras: "Não conheço pessoalmente algum xamã capaz de fazer esse retorno de alma."E continuou: "Mas ouvi falar de um xamã que tem um rancho na beira do lago Serra da Mesa. Contam que ele mantem uma pequena aldeia com alguns remanescentes das tribos dos avá-canoeiros. Eram índios que perderam suas terras por conta da formação do lago. Ë certamente um lugar cheio de lembranças e presença de espíritos de ancestrais, um local sagrado, de grande força espiritual. Dizem que ele é poderoso, que tem feito muitas curas. vocês querem ir lá?"

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

SOBRE RESGATE DE ALMA

Sandra Ingermann é psicóloga e xamã praticante. Em seu livro "Life after healing ela fala que a necessidade de resgate da alma acontece com muito mais frequência do que se imagina. E cita inclusive que durante suas sessões com pacientes ela prefere perguntar antes se a pessoa teve algum episódio traumático sério - um acidente, um caso de abuso sexual ou outro fato que possa sugerir perda da alma. Se a resposta for afirmativa ela procede com a jornada já sabendo o que procura. Para a jornada o xamã muda da realidade ordinária para a não-ordinária, onde ele procura o conhecimento para suas curas. Depois falaremos desse estado de realidade alterada.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A MULHER DO CALDEIRÃO - continuação

Havia mesmo um grande caldeirão e a mulher estava por trás dele. Cabelos longos, muito longos, avermelhados, ela não parecia velha como a Vidente. Duas cobras finas, não muito grandes, se acomodavam entre seus braços e seus cabelos. "Qual é a sua pergunta?" "É sobre minha namorada, Halana. Ela sofreu um acidente de carro há três meses; foi submetida a várias cirurgias, ficou no hospital por algum tempo, se recuperou das fraturas, etc, mas ela não é a mesma depois do acidente. Tem momentos de grande depressão, não fica só e não consegue, enfim, ter uma vida normal. Chora muito as vezes; estamos muito preocupados com ela." A Mulher do Caldeirão falou com simplicidade. "Sua namorada teve um acidente sério e um pedaço da alma escapou dela." "Um pedaço, como assim?" "Se ela tivesse perdido a alma inteira estaria morta. É comum, em casos assim. A alma tem medo e foge." "E agora?" "Agora ela precisa de um xamã pra resgatar esse pedaço que está perdido não se sabe onde. Só eles viajam entre mundos com facilidade. Eles acham e trazem de volta pra ela." Dito isso, mergulhou uma concha no caldeirão e colocou num copo uma pequena quantidade que entregou a Dani. "Beba, isso vai ajudar. Pode ir." Dani bebeu a pequena porção que havia no copo e começou a sair da caverna. Sentia-se cheio de esperança, renovado em suas forças. Era agora preciso encontrar o xamã.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A MULHER DO CALDEIRÃO

Dani abraçou Halana com ternura. Sami observava os dois e a cada dia mais se preocupava com a irmã. "Nós vamos hoje, então." Halana olhava para ele com interrogação, mas Dani foi muito positivo. "Vou eu, Sami, sozinho; é melhor. Por tudo que a Vidente falou, a Mulher do Caldeirão pode se recusar a receber outra pessoa. Eu estou confiante, podem crer. Não sei como explicar pra vocês, mas eu vi nos olhos da Vidente que isso vai funcionar. É claro que trarei notícias assim que estiver de volta. Esperem por mim." Dani partiu pra sua nova aventura com a confiança de seus 18 anos. Era jovem, forte e sabia que lutaria por um final feliz. Iniciou sua meditação pensando no caminho que o levaria a Mulher do Caldeirão. Respirou fundo, sentiu-se em comunhão com os elementos da Natureza e em breve tempo distinguiu o caminho a sua frente. Saiu da estrada principal e achou-se diante de um caminho estreito que parecia levar a casa de alguém. Andou por alguns minutos sentindo o cheiro da folhagem que as vezes lhe chegava ao rosto, percebeu o olhar atento de uma coruja pousada num qalho seco e viu então a entrada da caverna. Fez exatamente o que lhe fora ensinado. Parou na entrada da caverna e dise seu nome em voz alta. "Se ela consentir em recebê-lo ela chama seu nome. Espere e verá. Se ela não chamar, volte dali mesmo.Não adianta insistir." Dani se concentrou e rogou por ajuda aos seus protetores. Cada segundo parecia uma eternidade. Finalmente, "Dani, entre!"

domingo, 4 de novembro de 2012

A RESPEITO DE MAGIA

Muita gente vê a magia como algo sobrenatural e no entanto os elementos do simbolismo mágico sào os componentes básicos de tudo que existe. Terra, água, fogo e ar são esses elementos e são, ao mesmo tempo, físicos e espirituais. É a natureza, como sempre, compartilhando de todas as nossas ações. Assim, é comum usarmos a terra ou o fogo, ou o ar na forma do vento e a água também. Certamente será necessário usar a INTENÇÃO e o aspecto moral, pois no xamanismo acreditamos na lei do retorno e nunca desejamos o mal a ninguém. A magia existe em nossas vidas até sem que a gente perceba. O beijo na testa de despedida, o aperto de mão, o copo dágua pra quem está aflito, tudo isso tem componentes mágicos. Aquele momento em que a mulher entrega o chá ao ente querido, dizendo: "Tome, isso vai lhe fazer bem" é pura magia. O líquido é o veículo fluido e rápido com que a natureza conduz seus propósitos, e as palavras selam a mensagem, porque são carregadas do componente mais poderoso de todos, que é a intenção. Magia pura. Existem magias para todos os tipos de propósitos - para atrair dinheiro, para atrair amor, para extinguir medos, para curas; se alguém quiser alguma receita pode pedir, eu a descreverei com prazer. E não percam a continuação da estória - no próximo capítulo Dani conversa com a Mulher do Caldeirão.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

continuação do cap. 2

E agora? Não era apenas uma caverna comum. Havia algo como que um portal - eram duas colunas tendo ao centro uma enorme pedra. Sami e Halana se encaminharam para dentro da caverna. Sami tomava as decisões porque sabia que Halana não estava bem pra decidir alguma coisa. Era hora de correr riscos. Eles não podiam simplesmente esperar. Quanto tempo havia se passado desde o início daquela jornada? Impossível saber. Horas, dias? Entraram apressadamente, com receio de algo que lhes impedisse. Correram mesmo e subitamente sentiram que estavam descendo por um precipício. Rolando sem sentir pedras ou um chão áspero, era tudo atemporal, não dava pra saber por quanto tempo desciam. Não sentiam medo, não sentiam nada, apenas desciam. Rolavam, sem noção de tempo ou perigo. Era o caminho de volta, mas eles levaram algum tempo pra perceber. O tambor do Mestre soava como algo tranquilizante. Era isso. Estavam a salvo, mas ainda sem respostas. O Mestre se aproximou. "Descansem agora. Depois conversaremos." Nada havia sido conquistado, mas eles estavam de volta pra encontrar Dani. E continuar a busca.