quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
SOBRE O ANO NOVO
É nessa época em que um novo ano se aproxima que muita gente expressa seus desejos para dias melhores e muitas realizações. É preciso, entretanto, estar atento para alguns detalhes. QUE TIPO DE FUTURO VOCÊ ESTÁ CRIANDO EM SUA MENTE SE VOCÊ ESTÁ PRESO AS FERIDAS DO PASSADO? `Na verdade, creiam, o que a maioria das pessoas está fazendo é recriar os mesmos males dos quais desejam se livrar. *** Sabemos muito bem quanto sofrimento e traumas muita gente já passou em seu começo de vida e no decorrer dela. Mas será que as pessoas se lembram de que há mais coisas para viver , além do que já viveram? Que é preciso começar a criar uma nova história? Temos, como adultos e seres mais experientes, o potencial pra usar as diferentes opções de que dispomos. *** VOCÊ CONSEGUE CRIAR TUDO AQUILO EM QUE ACREDITA. Nós podemos criar nossa própria realidade. As pessoas têm mais poder criativo do que percebem e um potencial que não é usado. Ao invés de recriar o passado, use sua imaginação para visualizar uma vida saudável e feliz. Como você gostaria que fosse seu mundo? SE A SUA VIDA NÃO LHE AGRADA, CAI FORA DELA! Use sua imaginação pra inventar sua vida; tente imaginar o que é felicidade. Confie em si mesmo e saiba que você pode impor esse sentimento na sua vida.
domingo, 23 de dezembro de 2012
O MALUCO BELEZA - último capítulo
E agora, que fazemos? Voltamos daqui? Jonas queria saber qual o próximo passo. Vamos até a cachoeira ou voltamos pra casa direto? "Calma, gente" disse Kiko. "Nós nem conversamos. Eu ainda não entendi tudo que aconteceu. Não é todos os dias que eu vôo no espaço levado por uma águia gigante e vejo alguém como o Sweeny. Ele é um maluco beleza, não é?" " - Afinal, foi legal? Ele disse que você ia ter uma visão fantástica lá de cima.' "É, foi super legal, mas acho que preciso de um tempo pra tentar entender." "Isso mesmo", disse Sami. Sweeny ensinou coisas que vamos entender quando tivermos tempo pra pensar melhor. Por ora o melhor é irmos até a cachoeira, que não deve estar muito longe. *** Caminharam então por mais algum tempo no calor do dia e finalmente chegaram ao destino. Jonas pensou consigo mesmo que nada superaria a experiência que haviam tido com o mundo de Sweeny. Mas a frescura do lugar e o banho frio e gostoso ajudaram a restaurar seus ânimos. Comeram seus sanduiches, pularam e brincaram na água com muita disposição e logo depois vestiram suas roupas para a caminhada de volta. *** Já no ônibus, cada um traçava seus roteiros para o dia seguinte. E se lembravam do maluco beleza. Kiko adormeceu por uma hora e depois acordou dizendo que sonhara com o vôo. Jonas cochilou também e disse que vira em sonho o cavalo branco. Sami não dormiu. Pensava numa visita que faria ao mestre. Gostaria de aprender mais sobre as jornadas aos mundos exteriores. De viajar por outras dimensões e saber mais, muito mais ...
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
O MALUCO BELEZA 8
Quando pôde falar, perguntou aos dois: "Que lugar é esse, vocês sabem?" Sami sabia. Sabia que haviam penetrado em outra realidade, diferente da realidade comum. Ele havia feito uma jornada durante a doença de Halana e se lembrava da existência de outros mundos,onde viajara com a ajuda do mestre, mas agora, como voltariam? Sweeny adivinhou-lhe o pensamento. "Quando vocês quiserem voltar eu vou guiá-los até o ponto certo. De lá são apenas cinco minutos de caminhada até o ponto onde os encontrei. " *** Começaram a caminhar e Sweeny explicou que existem algumas fronteiras entre os mundos que as pessoas as vezes encontram, mesmo sem querer. Nesse momento elas têm uma sensação estranha, inexplicável para elas e normalmente se afastam do ponto em que iriam transpor a barreira, que é, claro, invisível. A maioria tem medo do desconhecido. *** Sami sentiu quando chegaram, antes que Sweeny avisasse. Era o córrego. E o cavalo branco tinha sido o sinal. Atravessaram o pequeno córrego de água fresca e acenaram para Sweeny. Já estavam do outro lado.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
O MALUCO BELEZA 7
Sami e Jonas estavam paralizados. O que eles viam agora era algo completamente fora do usual, algo que jamais conceberam possível de acontecer. Kiko havia sido apanhado por uma enorme águia e estava no ar, indo para longe. eles tinham os olhos fixos no garoto que se distanciava com a águia mas em certo momento não conseguiam mais vê-lo. Viraram-se pra falar com Sweeny, pedir socorro para o Kiko, mas o que viram os alarmou mais. Sweeny se dobrava de tanto rir e dava pulos de alegria. O pensamento que tiveram foi o mesmo: " Esse cara deve ser maluco. Podemos estar em perigo." *** Nisso Sweeny parou de rir e veio abraçar os dois. "Não se preocupem. Ele está bem. Deve agora estar vendo a paisagem mais bonita que seus olhos já viram." E completou: "É bom ver as coisas de cima. A gente tem uma visão muito mais realista de tudo. Tudo aquilo que nos parece grande fica pequenino... As ideias ficam mais claras. Não se preocupem - ele já volta." Olhou para o alto do morro onde Kiko deveria estar ( Sami e Jonas não conseguiam ver) e assobiou. Minutos após a águia apareceu voando e trazendo Kiko, meio pálido, mas muito excitado e feliz. Queria falar, contar o que vira, dizer se tivera medo, mas as palavras não saiam.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
O MALUCO BELEZA 6
SWEENY TINHA ASAS! PORISSO AQUELE PEQUENO MONTE EM SUAS COSTAS! VOOU PARA O ALTO DE UMA ÁRVORE DISTANTE E POUCO DEPOIS ESTAVA DE VOLTA COM FRUTAS NAS MÃOS. "ELA DEU AS FRUTAS COM PRAZER, ACHOU QUE VOCÊS PODERIAM ESTAR COM FOME." OS RAPAZES SE SENTARAM NUMA GRANDE PEDRA, COM AS FRUTAS NAS MÃOS. PRECISAVAM DE ALGUM TEMPO PARA ABSORVER O QUE ESTAVA OCORRENDO. SWEENY PARECIA SE DIVERTIR COM A SURPRESA DOS TRÊS. SORRIA MUITO E PROCURAVA MOSTRAR O QUE HAVIA NAQUELE LUGAR. *** JONAS NÃO SE CONTEVE: "QUE LUGAR É ESSE? NADA ME PARECE EXATAMENTE FAMILIAR E VOCÊ MESMO, SWEENY, VOCÊ QUEM É? NUNCA TÍNHAMOS VISTO ALGUEM COM ASAS..." SWEENY TEVE QUE RIR MAIS AINDA . "EU COMPREENDO, VOCÊS ESTÃO EM OUTRO MUNDO; ISSO PODE ACONTECER PORQUE A FRONTEIRA ENTRE OS MUNDOS AS VEZES SE TORNA TÃO TÊNUE QUE A PESSOA ATRAVESSA SEM QUASE SENTIR. É UM MOMENTO MÁGICO, APROVEITEM PRA CONHECER O MEU LUGAR. E NÃO SE PREOCUPEM COM A VOLTA, EU GUIO VOCÊS SEM PROBLEMAS." *** KIKO SUSPIROU ALIVIADO. ELE GOSTAVA DE BRINCADEIRAS, MAS ESSE ERA UM TERRENO COMPLETAMENTE DESCONHECIDO. E FOI EXATAMENTE PENSANDO NA VOLTA PARA CASA QUE SENTIU UMA PRESENÇA ATRÁS DELE. E VIU ENTÃO OS OLHOS ESPANTADOS DE SAMI E JONAS QUE O ENCARAVAM ATERRORIZADOS. ALGUMA COISA PEGOU-O PELAS COSTAS E ELE NÃO TINHA NOÇÃO DO QUE PODERIA SER. OUVIU UM GRITO DE JONAS E SENTIU QUE SE AFASTAVA DE SEUS AMIGOS.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
O MALUCO BELEZA 5
O que viam agora era certamente diferente. A paisagem, antes contida em caminhos estreitos e quase sufocada pelas árvores, era agora ampla, como se tivessem chegado a outra cidade. O céu azul podia ser visto em grande extensão, colinas permeavam o cenário como ornamentos e campos verdes completavam a visão grandiosa. Os três rapazes não tiveram muito tempo pra se surpreender com isso. Algo lhes prendeu a atenção - pararam, sem entender, ao ver Sweeny falar com o cavalo que veio ao seu encontro. Ele falou com o cavalo, afagou-lhe a cabeça e se despediu como se faz como uma pessoa. *** Em seguida, voltando-se para os três procurou explicar: " É, eu sou Sweeny, vocês ainda não me conheciam. É aqui que vivo a maior parte do tempo, embora eu não fique parado. Me movimento muito, ando entre os mundos e amo a Natureza. Não só os animais; as plantas, os rios, as pedras, toda a Natureza. Eu ouço a Natureza e o que ela me diz me ajuda a propagar esse conhecimento." Sweeny deu uma gargalhada. "Ei, vocês estão tão espantados! Nunca ouviram a voz da Natureza? Mas ora ela está aí e quer se comunicar o tempo todo." E como se aquilo tudo fosse pouco, abriu as asas e levantou vôo.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
O MALUCO BELEZA 4
Jonas foi o primeiro que falou - "O que podemos fazer?" O homenzinho respondeu: "É simples. Deixem-me ir com vocês. Ela não vai se aproximar se houver mais gente por perto, isso posso lhes garantir." Os três se olharam rapidamente e mesmo sem palavras admitiram que isso era algo que certamente poderiam fazer. "Muito bem, vamos então." Começaram a caminhar com o homenzinho e Kiko perguntou-lhe o nome. "Sweeny", ele disse. "Sweeny é o meu nome." *** Sweeny parecia um menino, brincando pelo caminho que agora parecia mais claro, pulando e rindo ao ver insetos e pequenos animais. Chegaram a beira de um córrego de águas límpidas e avistaram do outro lado um cavalo branco que trotava sozinho. Era um belo cavalo, todo branco e tinha a elegância de um animal de raça. Sami pensou que jamais deixaria um cavalo seu solto pelo caminho, com riscos de ser capturado por outros. Atravessaram o córrego, que era raso, e viram Sweeny acenar para o cavalo. Sweeny era mesmo uma estranha figura, mas o mais estranho foi que o cavalo parou, atendendo ao aceno do homenzinho. Os três amigos se olharam intrigados e ao mesmo tempo olharam em volta. Havia algo diferente naquele lugar onde estavam.
sábado, 8 de dezembro de 2012
O MALUCO BELEZA 3
Sami e Jonas chamaram Kiko. "Você ouviu alguma coisa" Kiko veio correndo; ele adorava novidades. "Onde?" "No alto daquela árvore. Um ruido estranho." "Pode ser um macaquinho. Ah, se eu pego um... Minha mãe reclama mas ela gosta de bichos." Jonas falou sério: "Não deve ser um mico, deve ser coisa maior. " Kiko deu uma gargalhada. -"Ah, uma onça talvez!" *** A ,"foi dizendo. de Kiko produziu um efeito que acelerou o coração dos três. De súbito, imerso numa torrente de galhos e folhas, a "coisa" despencou do alto da árvore, deslizando sem tropeços rumo ao solo. Os três olharam então com muita curiosidade para aquela figura que viera do alto. Era um homenzinho estranho, que lhes pareceria estranho mesmo que não estivesse caindo de uma árvore grande. Ele tinha um volume aumentado nas costas, como se estivesse carregando uma bolsa ali. A roupa também era diferente, um tanto bizarra pelo modelo fora dos padrões. Mas era alegre e comunicativo. Sorria muito, talvez imaginando a surpresa dos três jovens. *** "Oi, eu estou sempre por aqui, foi dizendo.Não moro deste lado, moro um pouco mais longe, mas gosto de vir por aqui também.Foi muito bom encontrar vocês; na verdade, preciso de ajuda." "Você está perdido?" foi a pergunta. Seu sorriso se acentuou. "Não, eu conheço tudo aqui. O problema é outro. Eu vou explicar." E olhando para os lados, em tom de confidência, declarou - "estou sendo seguido." Diante do espanto dos jovens, ele prosseguiu: "Essa mulher quer me prejudicar, talvez até me matar. Não fiquem surpresos, a verdade é que ela é poderosa. Vive para o mal."
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
O MALUCO BELEZA 2
O dia estava quente, mas as árvores impediam, com sua sombra, que eles sentissem muito calor. As vezes trocavam palavras, observações. "Legal isso aqui, não?" e continuavam entre tropeços e risadas. Pararam em um local pra beber água. Era como que uma pequenina praça com dois bancos, árvores frondosas, designado certamente para que as pessoas tivessem um ponto onde parar para um descanso. Sentaram-se e beberam muita água. Kiko parecia incansável como sempre, andando, olhando em volta e comentando sobre a caminhada. Jonas aproveitava o silêncio, ele gostava disso. Sami também gostava daquela sensação de natureza inexplorada, de solidão, de isolamento. *** Foi nesse momento que ele e Jonas ouviram o ruido. Algo no alto de uma árvore produzira um ruido que não era de animal pequeno. Olharam-se interrogativamente e chamaram o Kiko. O que seria aquilo?
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
O MALUCO BELEZA - 1
Os três se encontraram já preparados para o passeio - mochila nas costas, alguma coisa pra comer e algum dinheiro (pouco) pra alguma vontade de comer e beber algo extra. Pras passagens também. Na véspera tinham discutido sobre o destino, sem dificuldade. Ninguém queria ir muito longe: era domingo e o dia seguinte era cheio de obrigações com horários apertados. Kiko, o mais novo, nem estava muito motivado, mas Sami e Jonas não lhe deram chance de resistir. O Kiko, aliás, tinha muito disso: fazia-se sempre de rogado, mas era quem mais aproveitava. *** Queriam, principalmente, uma cachoeira. Nem se importavam se a água era muito fria; depois de boas caminhadas e o calor que resultqava sempre de um dia de sol, a visão da água tinha o efeito de um oásis no deserto. A viagem de ônibus durou cerca de três horas e então lá estavam eles, ávidos de novas paisagens, aventura, se possível, e muita movimentação. Gostavam e precisavam de exercício ao ar livre. *** O caminho para a cachoeira era em si uma aventura. Nunca tinham certeza sobre o trajeto e faziam disso a parte mais empolgante da jornada. Admiravam a vegetação, surpreendiam-se com os animais que encontravam e disputavam sua própria destreza nos momemtos mais difíceis. Havia algumas escaladas que as vezes eles mesmos escolhiam com o pretexto de encurtar caminho. Quem queria encurtar alguma coisa? Sami era o mais cordato; dizia sim pra qualquer sugestão, mas Jonas e Kiko disputavam com forte discussão suas preferências.
domingo, 2 de dezembro de 2012
A TRADIÇÃO CELTA - continuação
Quem não ouviu falar em Merlin, Arthur, Ceridwen , Taliesin e outros? Quem já não ouviu as lendas maravilhosas desse povo fabuloso? E é conhecendo as estórias e lendas de um povo que se pode ter ideia de sua cultura, embora a linguagem dos mitos e lendas ancestrais seja por vezes truncada e cheia de simbolismo. *** Um dos mais originais e belos pontos do xamanismo celta é a sua cosmovisão, ou seja, o modo como o universo é descrito, sendo dividido em três: O Mundo Superior, O Mundo Médio e O Mundo Inferior.Interligando esses três planos, A Árvore da Vida. *** Assim o xamã pode transitar por esses mundos, para buscar o Conhecimento. Ao xamã cabe, ao obter conhecimento e sabedoria no Outro Mundo, utilizá-los aqui para o bem da terra e do clã. *** Na próxima estória falaremos sobre Sweeny, o mais famoso "maluco beleza" da tradição celta. Ele tem uma visão muito inspirada, a ponto de parecer loucura e tem uma habilidade xamânica singular - a de atravessar a tênue fronteira entre os mundos e retornar com o conhecimento adquirido.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
A tradição celta- introdução
Estarei em breve falando da tradição celta do xamanismo, assunto que me encanta por dois motivos . 1- por causa da riqueza de suas lendas e personagens; 2- por uma atração que considerei como que um chamado para o conhecimento da cultura celta. *** Assim que tive o contato com esse conhecimento através do estudioso em cultura celta John Matthews senti como se sente uma pessoa que descobre estórias sobre sua família. A tal ponto me deixei encantar pelos relatos que decidi pintar as entidades tais como Ceridwen , A Noiva das Águas, O Rei do Mar, A Mulher Feita de Flores e outros. Fiz inclusive uma singela exposição dessas telas num shopping da cidade. *** Depois outra surpresa: em busca de detalhes sobre os celtas, procurei saber onde vivera minha avó na Itália e a informação confirmou o que eu sentia interiormente. Minha avó nascera em Udine, uma cidade fundada pelos celtas. ** Outras lembranças se juntaram pra confirmar minha descendência celta e atualmente escrevo estórias baseadas nos personagens dessa cultura,e é, podem crer, com muito carinho que os descrevo.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
SOBRE XAMANISMO EM GERAL
A palavra xamã vem da lingua de povos Tungus na Sibéria e foi adotada pelos antropólogos para designar aqueles que eram anteriormente chamados de bruxos, mágicos, videntes etc. *** O xamã entra , por sua vontade, num estado alterado de consciência para adquirir conhecimento em benefício de seus semelhantes. *** Em seu transe, supõe-se que sua alma deixe seu corpo para descer ao mundo inferior ou subir ao mundo superior. *** Durante seu transe o xamã experimenta a imensa alegria de visitar mundos lindos e misteriosos. São como sonhos, com a diferença que eles podem controlar suas ações e guiar suas jornadas. *** Ele é um explorador das paisagens infinitas de um magnífico e oculto universo.
domingo, 25 de novembro de 2012
A JORNADA
Qualquer pessoa pode fazer a jornada para o mundo espiritual, seguindo as regras necessárias. Importante também é o conhecimento prévio sobre os diferentes mundos que irá visitar. Relaxamento, ambiente escurecido, uma venda sobre os olhos , posição deitada e o tambor que deve ser usado por quem tenha a prática adequada. É comprovada a influência do som do tambor, que realmente interfere na consciência da pessoa. Mas embora seja uma prática segura , o aprendiz deve conhecer sobre o mundo xamânico antes de tal experiência. É preciso que se aprenda sobre os caminhos e os seres que habitam esses outros mundos. Como numa viagem comum é necessário conhecer a rota e seus procedimentos para ida e volta. É uma experiência maravilhosa que nos ajuda a procurar conhecimento. E eu diria ainda que é com os olhos fechados que a gente começa a VER.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
SOBRE MICHAEL HARNER
Michael Harner é antropólogo e tem uma extensa bagagem de conhecimento sobre xamanismo. É diretor e fundador da Foundation for Shamanic Studies que ministra cursos no mundo inteiro. Foi num desse cursos que tive minha prática xamânica sobre jornada e sobre cura, além de alguns exercícios sobre adivinhação. Em seu livro "The way of the shaman" ,ele fala sobre a maravilhosa experiência da jornada, atestando que é mais segura do que sonhar porque num sonho vc não tem vontade própria para se libertar de uma situação ruim, enquanto que na jornada vc está consciente . A consciência alterada do xamã é um estado lúcido e ele tem controle da situacão. Na prática xamânica vc tem a oportunidade de, COMPLETAMENTE SEM USO DE DROGAS, alterar o seu estado de consciência seguindo as clássicas maneiras xamânicas e entrar na realidade do xamanismo. O objetivo é sempre o conhecimento e a cura.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
UM LINDO DIA
O dia seguinte amanheceu tão azul e tão bonito, com muitas nuvens brancas e espessas enfeitando o céu que Dani e Halana decidiram caminhar um pouco depois da aula e admirar a beleza que os rodeava. A medida que andavam, de mãos dadas, falavam sobre suas últimas experiências. Dani apontou o céu :
"Olhe, lá vem uma nuvem escura .,.."
" É uma nuvem de chuva e bonita também. "Os dois riram da própria descoberta. Tudo era bonito. A natureza se integrava e se expandia ao seu redor. Os dois viviam um momento de comunhão e sensibilidade e juntos partilhavam o mesmo pensamento.
Halana correu para uma grande árvore e a abraçou. Sabia que abraçava uma criatura que também tinha vida e também se comunicava com linguagem própria. Dani ouvia o vento, que lhe trazia palavras de amor e conforto.
A canção do xamã ainda ecoava em seus ouvidos: *** "Cantamos ao por do sol, somos filhos da Mãe Terra. Louvamos, cantamos a música do universo ..." ***
( final da estória O XAMÃ )
terça-feira, 20 de novembro de 2012
O GRANDE MOMENTO - continuação
O xamã brandiu a maraca quatro vezes anunciando o começo da cerimônia. Pousou sua grande mão na cabeça de Halana e em seguida voltou-se para deitar no colchonete.Ali permaneceu deitado, os braços estirados ao lado do corpo, uma figura inerte, sua mente a viajar por caminhos de outras realidades. O tambor continuava sua cantilena na mágica missão de acompanhar a viagem do xamã. Tudo era silêncio. Halana imóvel, o xamã paralizado em sua jornada espiritual. Dani fechou os olhos. O tempo não existia ali. Sabia que havia outra realidade além da comum em que vivemos no cotidiano e que o xamã podia encontrar o fragmento perdido da alma de Halana em outras dimensões. Abriu os olhos e viu que o xamã erguia os braços, juntando as mãos em forma de concha , como que a aprisionar alguma coisa. Levantando-se, ele se encaminhou para Halana. Com as mãos ainda em forma de concha, levantou a cabeça de Halana fazendo-a sentar-se. Aproximou-se bem e soprou em sua nuca com algum esforço. Depois segurou sua cabeça com as duas mãos e lhe disse sorrindo :
"Dê boas vindas a esse pedaço de alma que acaba de chegar. Você está curada." E sacudiu a maraca quatro vezes anunciando o fim do ritual.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
O GRANDE MOMENTO
Foi servido a eles um almoço que consistia basicamente de legumes. Beberam um suco de fruta e esperaram a hora em que haveria a cura. A atmosfera era agradável, nada diferente do que podia ser a vida em um lugar tranquilo. Algumas pessoas chegavam e saiam, um carro chegou com um homem que consertava coisas, crianças por vezes quebravam o silêncio com risada ou choro. As três horas o xamã veio de dentro da casa até eles.
"Vai ser dentro de casa. Com pouca gente; Vocês e mais alguns poucos para ajudar. Vamos entrando ..."
Era uma sala de tamanho médio, não era pequena e dela foram provavelmente retirados os móveis. No chão, dois colchonetes cobertos com um pano limpo. Em volta, cinco ou seis cadeiras de madeira alinhadas junto as paredes. Os colchonetes estavam lado a lado e uma pequena distância os separava. A um sinal do xamã as janelas foram fechadas de modo a tornar o ambiente mais escuro. Um dos rapazes chegou com o tambor e uma mulher trouxe uma maraca, que entregou ao xamã.
Sami encaminhou Halana para o colchonete indicado.Deitou-a lentamente e sorriu com confiança. Dani também se aproximou, beijou-lhe a testa e voltou para sua cadeira. O tambor se fazia ouvir agora, suave e compassado, nas mãos do rapaz. Sentia-se o clima de espera, de calma, de absoluto desligamento das coisas. O xamã, que estava sentado no outro colchonete, levantou-se, aproximou-se de Halana e perguntou-lhe o nome completo. Depois explicou a ela que iria, com a ajuda dos espíritos, promover a sua cura. Halana fechou os olhos e soube, naquele momento, que dependia e muito do trabalho do xamã.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
O XAMÃ - continuação
Primeiro, o silêncio. De repente, como se ele fosse um animal, o grito tribal e feroz do xamã. Algo marcante, inesperado. E o tambor que soa forte em suas mãos. O xamã se levanta e se move ao redor do círculo. Todos se levantam, as maracas se juntando ao som do tambor, e se dão as mãos, começando uma ciranda. Todos cantam algo com palavras em louvor a Mãe Terra. ( Somos os filhos da Terra...) A ciranda evolui, transformando-se em dança. Alguns imitam pássaros voando, alguns parecem peixes nadando, e o xamã dentro do círculo com seu tambor incessante. Dani, Sami e Halana se emocionam com a pureza do momento, eles próprios dançando e se deixando levar pela beleza do canto. Era como estar vivo e plenamente integrado com a Natureza, sentindo a alegria pura de ser parte do universo.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
O XAMÃ - continuação
O xamà apareceu. Era um homem alto, de meia idade, cabelo quase branco embora não fosse velho. Sentou-se junto ao grupo e esperou com tranquilidade as palavras de Dani, que mostrava claramente sua ansiedade. Ouviu atentamente tudo que ele e Sami tinham para dizer, olhou para Halana com olhos observadores e finalmente falou. "É bom vocês ficarem aqui por hoje. Precisamos de uma preparação, porque essa cura, ou resgate, costuma ser trabalhosa e um pouco demorada. Vamos tocar tambores agora de manhã, alegrar nossos animais de poder e chamar pra perto nossos espíritos protetores e nossos ancestrais. Temos que estar preparados pra receber ajuda. A parte do resgate da alma sou eu quem faz mas vocês devem estar concentrados e em sintonia com a cerimônia."
Os três jovens concordaram , animados com a perspectiva da cura. O xamã era uma pessoa calma e de poucas palavras. Acenou para um dos rapazes e a partir daí, um círculo de pessoas foi se formando na parte da varanda que ficava próximo de uma grande árvore carregada de pequis. O xamã colocou uma vela no centro, acendeu-a e sentou-se. Todos os outros também se sentaram. Alguém trouxe um tambor para o xamã e logo apareceram maracas que foram distribuidas para as pessoas no círculo. Aqueles homens e mulheres não pareciam ser índios; ou eram descendentes ou simplesmente conheciam o trabalho do xamã.
domingo, 11 de novembro de 2012
O XAMÃ - continuação
Era tudo que queriam. Perguntas daqui e dali, no fim do dia já tinham o necessário pra saber como chegar ao xamã. Sairam cedo no dia seguinte. Foi uma viagem um pouco nervosa, tamanha a expectativa. Halana procurava se manter calma e Sami contava estórias engraçadas para entreter os amigos. Era aparentemente um passeio como outro qualquer, mas eles guardavam no coração um grande anseio pela cura de Halana.
O rancho que encontraram consistia em uma casinha muito simples, algumas cadeiras do lado de fora e um banheirinho ao lado da casa. Muitas árvores em volta, plantas que cresciam ao sabor do tempo, era bonito mesmo assim. O lago se mostrava em toda sua magnitude. Águas tranquilas, o sol já espalhado por todas as coisas, era um lugar de paz. Algumas crianças apareceram e logo uma mulher se apresentou, parecendo indagar o motivo da visita.
"Viemos ver o xamã que mora aqui", disse Sami. "Precisamos muito falar com ele."Mais dois jovens vieram de dentro da casa. Pareciam acostumados a esse tipo de visita. Dani imaginou que várias outras pessoas recorriam ao serviço do xamã. Um dos rapazes disse que ia chamá-lo, que podiam se sentar. Algumas canoas podiam ser vistas dali, gente pescando no sol quente da manhã.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
O XAMÃ
Os três se reuniram na casa de Dani, depois da aula, depois que Sami e Halana tinham ouvido tudo sobre a Mulher do Caldeirão. Haviam conversado aos pedaços, entre aulas, na saida, mas o assunto não se esgotava facilmente. Principalmente porque ainda não sabiam como encontrar o xamã. Sami parecia pessimista, mas Dani se mostrava calmo embora não tivesse a resposta.
"Acho que temos que recorrer ao Mestre", disse Dani.
No dia seguinte pela manhã relataram as ocorrências ao velho Mestre. Suas primeiras palavras foram desanimadoras: "Não conheço pessoalmente algum xamã capaz de fazer esse retorno de alma."E continuou: "Mas ouvi falar de um xamã que tem um rancho na beira do lago Serra da Mesa. Contam que ele mantem uma pequena aldeia com alguns remanescentes das tribos dos avá-canoeiros. Eram índios que perderam suas terras por conta da formação do lago. Ë certamente um lugar cheio de lembranças e presença de espíritos de ancestrais, um local sagrado, de grande força espiritual. Dizem que ele é poderoso, que tem feito muitas curas. vocês querem ir lá?"
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
SOBRE RESGATE DE ALMA
Sandra Ingermann é psicóloga e xamã praticante. Em seu livro "Life after healing ela fala que a necessidade de resgate da alma acontece com muito mais frequência do que se imagina. E cita inclusive que durante suas sessões com pacientes ela prefere perguntar antes se a pessoa teve algum episódio traumático sério - um acidente, um caso de abuso sexual ou outro fato que possa sugerir perda da alma. Se a resposta for afirmativa ela procede com a jornada já sabendo o que procura. Para a jornada o xamã muda da realidade ordinária para a não-ordinária, onde ele procura o conhecimento para suas curas. Depois falaremos desse estado de realidade alterada.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
A MULHER DO CALDEIRÃO - continuação
Havia mesmo um grande caldeirão e a mulher estava por trás dele. Cabelos longos, muito longos, avermelhados, ela não parecia velha como a Vidente. Duas cobras finas, não muito grandes, se acomodavam entre seus braços e seus cabelos.
"Qual é a sua pergunta?" "É sobre minha namorada, Halana. Ela sofreu um acidente de carro há três meses; foi submetida a várias cirurgias, ficou no hospital por algum tempo, se recuperou das fraturas, etc, mas ela não é a mesma depois do acidente. Tem momentos de grande depressão, não fica só e não consegue, enfim, ter uma vida normal. Chora muito as vezes; estamos muito preocupados com ela."
A Mulher do Caldeirão falou com simplicidade.
"Sua namorada teve um acidente sério e um pedaço da alma escapou dela."
"Um pedaço, como assim?"
"Se ela tivesse perdido a alma inteira estaria morta. É comum, em casos assim. A alma tem medo e foge."
"E agora?"
"Agora ela precisa de um xamã pra resgatar esse pedaço que está perdido não se sabe onde. Só eles viajam entre mundos com facilidade. Eles acham e trazem de volta pra ela." Dito isso, mergulhou uma concha no caldeirão e colocou num copo uma pequena quantidade que entregou a Dani. "Beba, isso vai ajudar. Pode ir."
Dani bebeu a pequena porção que havia no copo e começou a sair da caverna. Sentia-se cheio de esperança, renovado em suas forças. Era agora preciso encontrar o xamã.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
A MULHER DO CALDEIRÃO
Dani abraçou Halana com ternura. Sami observava os dois e a cada dia mais se preocupava com a irmã. "Nós vamos hoje, então." Halana olhava para ele com interrogação, mas Dani foi muito positivo. "Vou eu, Sami, sozinho; é melhor. Por tudo que a Vidente falou, a Mulher do Caldeirão pode se recusar a receber outra pessoa. Eu estou confiante, podem crer. Não sei como explicar pra vocês, mas eu vi nos olhos da Vidente que isso vai funcionar. É claro que trarei notícias assim que estiver de volta. Esperem por mim."
Dani partiu pra sua nova aventura com a confiança de seus 18 anos. Era jovem, forte e sabia que lutaria por um final feliz. Iniciou sua meditação pensando no caminho que o levaria a Mulher do Caldeirão. Respirou fundo, sentiu-se em comunhão com os elementos da Natureza e em breve tempo distinguiu o caminho a sua frente. Saiu da estrada principal e achou-se diante de um caminho estreito que parecia levar a casa de alguém. Andou por alguns minutos sentindo o cheiro da folhagem que as vezes lhe chegava ao rosto, percebeu o olhar atento de uma coruja pousada num qalho seco e viu então a entrada da caverna.
Fez exatamente o que lhe fora ensinado. Parou na entrada da caverna e dise seu nome em voz alta. "Se ela consentir em recebê-lo ela chama seu nome. Espere e verá. Se ela não chamar, volte dali mesmo.Não adianta insistir." Dani se concentrou e rogou por ajuda aos seus protetores. Cada segundo parecia uma eternidade. Finalmente, "Dani, entre!"
domingo, 4 de novembro de 2012
A RESPEITO DE MAGIA
Muita gente vê a magia como algo sobrenatural e no entanto os elementos do simbolismo mágico sào os componentes básicos de tudo que existe. Terra, água, fogo e ar são esses elementos e são, ao mesmo tempo, físicos e espirituais. É a natureza, como sempre, compartilhando de todas as nossas ações. Assim, é comum usarmos a terra ou o fogo, ou o ar na forma do vento e a água também.
Certamente será necessário usar a INTENÇÃO e o aspecto moral, pois no xamanismo acreditamos na lei do retorno e nunca desejamos o mal a ninguém.
A magia existe em nossas vidas até sem que a gente perceba. O beijo na testa de despedida, o aperto de mão, o copo dágua pra quem está aflito, tudo isso tem componentes mágicos.
Aquele momento em que a mulher entrega o chá ao ente querido, dizendo: "Tome, isso vai lhe fazer bem" é pura magia. O líquido é o veículo fluido e rápido com que a natureza conduz seus propósitos, e as palavras selam a mensagem, porque são carregadas do componente mais poderoso de todos, que é a intenção. Magia pura.
Existem magias para todos os tipos de propósitos - para atrair dinheiro, para atrair amor, para extinguir medos, para curas; se alguém quiser alguma receita pode pedir, eu a descreverei com prazer.
E não percam a continuação da estória - no próximo capítulo Dani conversa com a Mulher do Caldeirão.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
continuação do cap. 2
E agora? Não era apenas uma caverna comum. Havia algo como que um portal - eram duas colunas tendo ao centro uma enorme pedra. Sami e Halana se encaminharam para dentro da caverna. Sami tomava as decisões porque sabia que Halana não estava bem pra decidir alguma coisa. Era hora de correr riscos. Eles não podiam simplesmente esperar. Quanto tempo havia se passado desde o início daquela jornada? Impossível saber. Horas, dias?
Entraram apressadamente, com receio de algo que lhes impedisse. Correram mesmo e subitamente sentiram que estavam descendo por um precipício. Rolando sem sentir pedras ou um chão áspero, era tudo atemporal, não dava pra saber por quanto tempo desciam. Não sentiam medo, não sentiam nada, apenas desciam. Rolavam, sem noção de tempo ou perigo. Era o caminho de volta, mas eles levaram algum tempo pra perceber.
O tambor do Mestre soava como algo tranquilizante. Era isso. Estavam a salvo, mas ainda sem respostas. O Mestre se aproximou. "Descansem agora. Depois conversaremos."
Nada havia sido conquistado, mas eles estavam de volta pra encontrar Dani. E continuar a busca.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
capítulo 2 - HALANA
HALANA
Parecia-lhe ouvir a voz de Dani, como um sussurro - "Halana, onde está você?'Poderia rir, se não tivesse a mente tão confusa. Nem eu sei onde estou, pensou. Na tentativa de buscar om conhecimento para sua cura ela e Sami se aventuraram por dimensões desconhecidas e esperavam agora por algo que os tirasse desse mundo estranho em que estavam. Ou que encontrassem espíritos protetores que lhes transmitissem seus conhecimentos. Alguma coisa deveria acontecer ou eles ficariam para sempre naquele recanto obscuro.
Sami se aproximou com uma novidade. "Ouvi ruidos. Talvez a gente tenha que enfrentar problemas. Fique calma, Halana; lembre-se do que o Mestre falou: - Se forem seres malignos vocês vão logo perceber e devem se afastar o quanto antes.Eles simplesmente não terão tempo de lhes prejudicar. E se forem os bons, os protetores, é importante escolher as palavras pra pedir ajuda. Os espíritos vivem em mundos diferentes dos nossos, com outros valores, outra noção do tempo, é preciso saber se comunicar."
"Que fazemos então? Vamos andar ou esperar?"
"Vamos andar."
Depois de darem alguns passos um estranho animal apareceu. Olhava pra eles sem curiosidade, sem demonstrar qualquer tipo de intenção. Ele era algo indefinido, como um grande lagarto sem cauda. Difícil saber quem ele era, mas Sami não arriscou; pegou Halana pelo braço e os dois se afastaram rapidamente. A estranha figura também se foi, mas uma ave gigantesca pareceu querer segui-los. Sami e Halana correram assustados por algum tempo, até avistarem uma caverna.
domingo, 28 de outubro de 2012
SOBRE A MULHER DO CALDEIRÃO
Essa figura feminina da tradição celta do xamanismo tem o nome de Ceridwen. Seu caldeirão contem a bebida da inspiração. Se você tem uma pergunta pra ela, medite e viaje até uma caverna onde vc vê uma fogueira na entrada. Diga seu nome e que vc procura a bebida da inspiração divina. Se houver resposta, entre. (Se não houver, volte a consciência normal e deixe para outra vez.)
Passe pela fogueira e entre no coração da caverna. Há no centro dela um caldeirão de ferro enegrecido.Atrás dele está Ceridwen. Sente-se e converse com ela sobre seus problemas. Ela decidirá o que fazer. Ela poderá dar respostas ou oferecer um pouco da bebida, mas aí vc terá uma nova viagem dentro dessa.
sábado, 27 de outubro de 2012
O XAMÃ (A Vidente - Continuação do cap. 1)
De repente, o tropel de cavalos ao longe.Dani conseguia ver através da poeira da estrada a carruagem puxada por dois cavalos, vindo em sua direçào. A carruagem estancou com os saltos dos dois cavalos negros, que relinchavam com a súbita parada. A mulher que ele viu estava envolta em uma capa roxa e seus olhos penetravam nos de Dani a medida que se aproximava. Dani tinha duas perguntas e ela hesitou por um minuto. Logo após a breve hesitação respondeu:
"Talvez a Mulher do Caldeirão possa ajudar a encontrar o caminho para o mundo superior.E quem sabe seus amigos não estão perdidos no trajeto? Mas não se iluda, ela disse brandindo o dedo magro, ela é poderosa mas é caprichosa também. Ela não atende a qualquer um ... "
Dani estremeceu ao ouvir falar de seus amigos perdidos no caminho entre mundos; ele queria perguntar mais, mas a criatura levantou as rédeas com ímpeto e os cavalos obedeceram rapidamente. Agora era só poeira o que restava. Sentiu um leve torpor e sentou-se debaixo de uma árvore. Sabia que precisava de tempo pra voltar a pensar.
Descansou, como quem se refaz de um sonho grande. Era um sonho grande , mesmo, e ele necessitava de tempo pra se recompor, pra voltar plenamente a sua realidade habitual. Depois iria descobrir como chegar até a Mulher do Caldeirão. Pelo menos já sabia do próximo passo. Tentaria achá-la, sozinho enquanto não tinha a companhia dos dois. SAMI E HALANA, ONDE ESTÃO VOCÊS?
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
CAP. 1 - A VIDENTE
A VIDENTE
Dani abriu os olhos, como se despertasse de um sonho. Mas ele não tinha dormido, claro que não. Lembrava-se de ter apenas se concentrado para ouvir o vento. A tarde trazia consigo uma brisa suave como um carinho, era bom ficar assim, quieto, sem pensar.
O Mestre fora bem específico: "É preciso ouvir o vento,ele vai trazer mensagens preciosas para suas dúvidas. " Dani havia começado a ouvir o som do vento da tarde, uma mistura de farfalhar de folhas nas árvores, galhos que se moviam, mas não se 'lembrava bem daquele momento.Achou que não tinha conseguido reter a informação do vento, não tinha certeza de nada. Achou que simplesmente as coisas não aconteceram. E eles precisavam tanto!
Sami e Halana haviam sumido logo cedo. Dani sabia que eles estavam também na busca, perdidos talvez, ou correndo perigo. Onde estariam nesse momento? Olhou em volta e notou alguma mudança na paisagem. Ele estava, sim, no mesmo lugar, mas havia agora suaves diferenças. A estrada, que era de terra, parecia mais uniforme, mais propícia a caminhada ou a passagem de um carro. Mas ele sabia (como sabia?) que ali não passariam carros.As árvores estavam mais frondosas, havia galhos que se estendiam por vários metros. E flores, na beira da estrada, como nos desenhos que fazia quando criança.
Sentiu que a hora se aproximava. Entendia agora a voz do vento e se lembrava de sua mensagem. Que coisa estranha! Sentiu também que não lhe cabia decidir ou pensar, o tempo não mais lhe pertencia, tudo se desenrolava em sua mente como num filme. Ela ia chegar e ele tinha que ser preciso em suas perguntas. Não sentia medo, mas tinha, sim, medo de não obter resultados. O Mestre prevenira sobre a Vidente. "Se ela aparecer, ela vai olhar em seus olhos e decidir se responde. Ninguém sabe o que ela vai dizer. E depois, meu amigo, você terá que interpretar suas palavras, mas vale a pena."
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
O ELO COM O ESPÍRITO
No livro de Castaneda, o feiticeiro Dom Juan explica que a sensação que todos conhecem como "intuição" é a ativação de nosso elo com o espírito. E uma vez que eles (os feiticeiros)perseguem com deliberação a compreensão e o fortalecimento desse elo, pode-se dizer que intuem tudo com uma precisão e segurança infalíveis.
Obviamente o homem perdeu muito de sua ligação com o espírito devido a sua lida obstinada na vida diária. O ser humano moderno é prático, é diligente mas não possue o canal aberto para a linguagem do universo. Tudo que ele faz é para reforçar sua natureza prática.
O TEMA DESSE BLOG
Vamos falar muito sobre xamanismo porque essa é uma filosofia de vida que nos ajuda a perceber tudo que existe e entender nossa conexão com o universo.Parece que só depois que o homem se posiciona no universo ele consegue VER.
Dessa maneira:
- Haverá sempre uma crônica de minha autoria sobre assuntos relacionados.
- Teremos pequenos tips de gente xamânica famosa .
- Teremos uma estória , contada em partes, que ilustra a sabedoria xamânica.
Qualquer pessoa pode participar, mandando comentários que serão provavelmente motivo de trocas de experiências. Abençoados sejam todos que vierem a esse blog.
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